Ó Francisco... e que tal um pontapé nas ginjas?

Francisco José Viegas é escritor, portista, apreciador de cerveja, tem o seu blog e tem uma coluna no JN. O senhor não me diz grande coisa, como é que hei-de explicar... indiferença é o sentimento que me produz. Até aqui nada de especial, mas ao ler a dita coluna de opinião das segundas no JN, eis que me deparo com um ataque, muito na moda á ASAE (também ela na moda) devido ao encerramento da Ginjinha do Rossio. Ora diz o escritor que Aquele espaço tresandava a história e a convivialidade… e ainda que “Essa onda que prega a normalização dos costumes alimentares acabará com a pequena alma dessas nobres instituições de pecado, como a Ginjinha do Rossio.”. Na minha modesta opinião o local tresandava também a porcaria e imundice, ainda que cheias de alma. Esse local que bem conheço ou não fosse alfacinha, nascido e criado em Lisboa, essa cidade linda á beira Tejo, sempre foi um local onde quem nos servia a tal ginjinha o fazia num copo previamente “lavado” com um pouco de água e muito dedo indicador. Mais um pormenor castiço deste estabelecimento era o facto – com imensa alma – de corrermos o risco de ficar com a nossa manga colada ao balcão, o que convenhamos tem o seu charme, já que a trampa acumulada ao longo dos anos possibilitava essa experiência enriquecedora. O escritor e defensor da alma portuguesa escreve também: “A Ginjinha do Rossio era um monumento nacional. Uma referência que amigos italianos, brasileiros e alemães procuravam para provar uma das melhores ginjinhas portuguesas.” E lá vou eu ser chatinho outra vez, porque eu gostava de ver esses turistas serem servidos sem terem de ver um senhor meter a unha cheia de merda dentro do copo onde a seguir vão beber o dito liquido tão procurado por eles! Continuemos lendo o senhor que ainda consegue protestar porque “Hoje já não há castanhas assadas embrulhadas nas Páginas Amarelas nem bolas-de-berlim nas praias…” Aqui é que ele me entalou! O pá, quem é que pode passar sem as castanhas embrulhadas nas belas Páginas Amarelas que tinham sido surripiadas aos restaurantes, cafés, vãos de escada e até quem sabe caixotes de lixo. Quem poderá comer as castanhas assadas naqueles pacotes de papel sem graça? E quem poderá passar na praia sem as belas Bolas de Berlim? Quem?! Quem desdenharia apanhar uma bela intoxicação alimentar? Sei de muitos italianos, alemães e brasileiros que cá vinham só na possibilidade de ficarem em qualquer quarto de hotel a vomitarem-se! Eu confesso que sou esquisito, mas gosto de imaginar um Portugal onde se pode beber uma qualquer ginjinha num copo lavado e comer a castanhinha assada sem esta estar embrulhada numa folha de Páginas Amarelas, que passou pelas unhas e cuspo de outros. Embora esteja ciente que a alma... essa se perderia para sempre!

E se o Pl@ka falou...tá falado!

2 Comentários:

A Vilhena disse...

Se a ASAE fosse a Madrid... fechava(m) a ASAE

Nuno M. S. Aleixo disse...

Com o mal dos espanhóis posso eu bem...

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