Uma tarde no circo…

CircoAinda me lembro que as festas de natal da empresa da minha mãe, levava-me sempre ao Coliseu, ver um dos maiores espectáculos do mundo: O circo! Agora sou eu que levo a Joana. Ela tem cinco anos (quase seis), e nos últimos três ou quatro anos, pelo natal, somos presença assídua nos vários circos que aparecem por Lisboa. Tenho a felicidade de conseguir sempre bilhetes grátis, desta vez foi a “sogrinha”. E no sábado à tarde rumámos ao Coliseu. Eu esperava reviver as tardes de circo na mítica sala de espectáculos lisboeta. Ao chegar deparámo-nos com uma organização à portuguesa – embora comece a ser menos a regra e mais a excepção – e esperamos quase uma hora para entrar devido a atraso na sessão anterior. Aqui o vosso amigo já estava um pedacinho chateado, quando finalmente vimos a multidão sair. Entrámos. Os lugares não eram maus, bem pelo menos até se sentar à nossa frente um casal. Eles eram… Grandes! Estão a ver? Para cima e para os lados! Estava a correr bem a coisa… A companhia de circo? Pois, não melhorou nada a experiência. Desde palhaços tristonhos e enfadados, malabaristas e trapezistas comezinhos que faziam pequenos números à pressa, passando pela speaker de serviço, uma madura debitando banalidades e finalizando com um deprimente e velho elefante que parecia ir morrer em pleno número. O que salvou o dia? A minha filha gostou, ainda não tem – felizmente – o meu espírito crítico e cínico. E aquando do número do elefante, o animal tinha de chutar uma bola e marcar golo. A madura – que deve repetir isto a cada remate do bicho – grita: “Golo do FC Porto!”. O Coliseu, cheio de famílias, quase em uníssono apupa e assobia. A senhora repete a graça e grita: “Golo do Sporting!” e mais uma vez uma enorme vaia, desta vez com uns aplausos pelo meio. Pois, adivinharam, desta vez grita-se: “Golo do Benfica!”. A sala quase vem abaixo com os gritos da miudagem e os aplausos dos adultos. Se fosse necessário fazer uma sondagem, indagando se ainda existem benfiquistas entre a malta nova, quem ali esteve no sábado teria ficado elucidado. Obviamente que isto enche a alma de uma pessoa. E bem precisava, porque ainda não estava refeito do combate por chocolates e chupas que presenciei ao intervalo. Dirão vocês: ”São crianças, é normal!”. E se assim fosse, eu até concordava, o triste da situação é observar que foram os adultos que quase espetavam dedos nos olhos, empurravam e passavam rasteiras para conseguir um chocolate de borla. Quando chegou o fim do espectáculo – não sei se lhe posso chamar assim – tive de relembrar as festas da minha infância para não ficar mais deprimido e ir reanimar a alma à mesa de um excelente restaurante, mas isto já é outra conversa. Para um outro post. Já a seguir...

E se o Pl@ka falou...tá falado!

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